Baiado
Baiado é um magnífico livro de contos que é mais do que um livro de contos. É um romance atípico que conta fragmentos duma grande história de muitas pequenas grandes histórias de uma personagem: a mulher do Príncipe, a mulher Santomense. É um hino sonoramente gritado que pretende frasear em flashes do quotidiano, em raios de idiossincrasias e em relâmpagos de realidade, de fantasia e de magia, todas as mulheres possíveis numa só Mulher, que facilmente reconhecemos como sendo santomense. É uma enorme canção triste que se propõe esculpir milimetricamente o ser e o sentir de uma condição, a condição do “se” e do “porquê”, a interrogação, do feminino Santomense. É como se Goretti Pina se propusesse, e conseguisse, desenhar um vestido que servisse, que pudesse ser usado, por todas mulheres de um País, por dezenas de personagens que dão vida aos contos, sabendo ela, e nós, quão radical teria de ser o resultado de tal exercício. É, por isso, pela ambição estética e literária que Baiado é, provavelmente, o mais impactante objecto literário por si produzido.
Goretti Pina
